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Ouriquense

24
Mai17

O legado de Sokal

Eremita

"We conclude that penises are not best understood as the male sexual organ, or as a male reproductive organ, but instead as an enacted social construct that is both damaging and problematic for society and future generations. The conceptual penis presents significant problems for gender identity and reproductive identity within social and family dynamics, is exclusionary to disenfranchised communities based upon gender or reproductive identity, is an enduring source of abuse for women and other gender-marginalized groups and individuals, is the universal performative source of rape, and is the conceptual driver behind much of climate change." Dois brincalhões que não gostam da Judith Butler

 

 

23
Mai17

A autofelação de Pedro Santos Guerreiro

Eremita

Mesmo que ponha em causa poderes instalados - sobretudo se põe em causa poderes instalados -, continuaremos inquietos e a inquietar. Mesmo que encolham os ombros, nós mexemos os braços. Pedro Santos Guerreiro, Expresso.

 

Pedro Santos Guerreiro (PSG) resolveu elogiar o jornalismo de investigação do Expresso sobre as falcatruas financeiras dos famosos e poderosos. É o que por vezes se pede a um líder, para motivar a sua equipa, e aplaudo o jornalismo de investigação. O problema é o estilo. PSG não resiste a transfomar a realidade numa série de Aaron Sorkin; algures a meio das suas crónicas, o leitor começa a ouvir uma banda sonora. Desta vez, carregando sobre moinhos de vento, PSG quase faz do jornalismo do Expresso uma actividade tão admirável como investigar a Camorra ou o narcotráfico mexicano. Ora, salvo erro, não há no Expresso nenhum jornalista com a coragem algo suicida de Roberto Saviano. Até porque Roberto Saviano não entra em nenhuma série da HBO. 

 

22
Mai17

Tarifário de um nègre a recibos verdes

Eremita

 

Promoção de  2017: 25% de desconto até 30 de Julho

 

 

 

 

Aceitamos encomendas. Prometemos sigilo e celeridade. O cliente escreve-nos (eremitadaplanicie@sapo.pt) a expor o seu pedido e fornecendo-me todos os elementos que julgar pertinentes. Seria ingenuidade abrir o jogo, mas garanto que o complexo esquema que montámos assegura os interesses dos três intervenientes. O cliente fica com o anonimato assegurado e pode avaliar da qualidade do produto antes de se comprometer; eu fico com a possibilidade de testar o interesse real do cliente antes de investir a fundo na encomenda e posso retaliar se a cobrança da quantia total acordada falhar; o Estado cobra os impostos devidos. Reservo-me o direito de recusar trabalhos (por exemplo, um bilhete suicida), mas justifico sempre a minha resposta. Admito realizar algum trabalho pro bono, mas só depois de equillibrar as contas e apenas naquelas situações caricaturais em que os bons e os maus estão categoricamente definidos - ao menor sinal da complexidade da condição humana, dispara a bandeirada. 

 

Eis um breve tarifário, que é meramente ilustrativo:

 

Carta de amor...............................................................0.05 € /letra* 


Carta ao pai, pelo filho...................................................0.1 € /letra

 

Carta à mãe, pelo filho..................................................0.05 € /letra

 

Carta à mãe, pela filha....................................................0.1 € /letra

 

Carta ao pai, pela filha...................................................0.05 € /letra

 

Comunicado de treinador à massa associativa................. 5 € /letra

 

Carta anónima a colega de trabalho que fede (1)................ 1 € /letra

 

(1) em letra de imprensa recortada.................................. 1.4 € /letra

 

Correio de leitores na imprensa [qualquer tema]..............0.2 € /letra

 

Frase de fim de namoro para sms ou espelho embaciado..3 € /letra

 

Declaração de voto vencido [qualquer tema].....................0.3 € /letra

 

Post insultuoso à maneira de Camilo Castelo Branco .....0.4 € /letra**

 

Post insultuoso à maneira de Vasco Graça Moura...... .....0.2 € /letra**

 

Post insultuoso à maneira de Vasco Pulido Valente ........0.1 € /letra**

 

Prosa feminista à maneira de Inês Pedrosa......................0.1 € /letra**

 

Teoria da conspiração à Pacheco Pereira.........................0.1 € /letra**

 

*Não inclui espaços, as reticências contam como um ponto final e pontos de exclamação ou de interrogação concatenados são de borla, embora fortemente desaconselhados.

** Válido apenas para causas justas. Há desconto se o visado for uma figura antipática para o Ouriquense. 

 

 

 

20
Mai17

Revisionist History

Eremita

 

mgladwell.jpg

Se vivemos hoje na idade de ouro da televisão, que em rigor é apenas a idade de ouro das séries de ficção da televisão dos EUA enriquecida por uma ou outra série europeia, então a rádio vive a idade de platina ou diamante. Dirão os picuinhas que um podcast não é rádio, mas é um programa que se ouve, o que basta para mim. E dirão os telespectadores do Ponto Contraponto que os anos dourados da rádio aconteceram antes do aparecimento da televisão, o que não posso rebater. Reformulo, então: nunca gostei tanto de ouvir programas como nos últimos anos. Uma imagem pode valer por mil palavras, mas não vale por uma pausa e há pausas que dão apertos na garganta. A minha mais recente descoberta foi Revisionist History, do virtuoso contador de histórias que é Malcolm Gladwell. O episódio 4, Carlos Doesn't Remember, sobre alunos excepcionais de famílias pobres, fez-me abrir muito os olhos, para não chorar. O episódio 10, The Satire Paradox, recomenda-se a todos aqueles que atribuem a despenalização do aborto ao brilhante sketch em que Ricardo Araújo Pereira imita Marcelo Rebelo de Sousa. O episódio 3, The Big Man Can't Shoot, em que uma história singular serve para ilustrar uma ideia da sociologia, é Malcolm Gladwell a ser Malcolm Gladwell.   O episó... Bem, vão ouvir.

19
Mai17

"A origem da depressão"

Eremita

O sintoma que mais caracteriza a depressão é a desvalorização. Desvalorização do próprio em relação a si mesmo, decorrente da desvalorização que sentiu das suas figuras significativas em relação a si mesmo. Não existe depressão sem essa desvalorização das figuras significativas [leia-se: os pais], consciente ou inconsciente. Uma psicoterapeuta, Público

 

Naturalmente, se alguém com depressão tentar rebater a teoria da psicoterapeuta dizendo-lhe que tem depressões há décadas e sempre se sentiu valorizado pelos pais, a senhora refugiar-se-á na palavrinha "inconsciente". Leiam o texto. Leiam a seguir o primeiro comentário ao texto, que completa este monumento à incultura científica da pátria. E como isto não pode ser só reinação, leiam ainda o que escreveu a Doutora Ana Matos Pires

19
Mai17

A minoria silenciosa

Eremita

É chato ser canhoto porque o mundo está feito contra nós. Não é só a tesoura que não dá jeito: também não corta e, se nos esforçarmos para conseguir cortar, magoa a mão e corta tudo torto, sem que possamos ver o que estamos a fazer.

Para um destro ter uma ideia do que é ser canhoto seria preciso que, durante uma semana, se amanhasse com uma faca de pão para canhotos, um abre-latas para canhotos, um apara-lápis para canhotos, um saca-rolhas para canhotos, um descascador de batatas para canhotos, uma régua para canhotos, uma caneta de tinta permanente para canhotos e um bloco para canhotos. Qual é o destro que já passou por isso?

Acrescente-se, já agora, a gracinha de nem sequer saber porque é que estas utilidades são todas tão inúteis e o sacrifício, por uma questão de sobrevivência, do direito de estar sempre a queixar-se. Para não falar na despesa de substituir as coisas (como o abre-latas) que fatalmente destruirá.

Toda a orientação dos livros, deste jornal, deste website, é anticanhota. Não há neutro: é esse o problema. Se fossem para canhotos, sofreria a grande maioria dos leitores, que são destros. A companhia anythinglefthanded.co.uk fez um valioso vídeo em que mostra as dificuldades concretas dos canhotos, começando pelas crianças.

Não basta simpatizar com elas: é preciso compreender as causas físicas das frustrações delas com as coisas concebidas para os destros. É simples e insolúvel: para os canhotos as coisas (e as pessoas) direitas é que estão ao contrário.  Miguel Esteves Cardoso

 

Não conheço pessoa mais canhota do que eu. Só escrevo com a mão esquerda, só dedilho a guitarra com a mão esquerda, só remato menos mal com o pé esquerdo, só pisco com convicção o olho esquerdo, só confio nas papilas gustativas do lado esquerdo. Sinto o meu corpo como uma quimera em que, dos pés à cabeça, só a metade esquerda me é familiar. É a metade mais treinada e gasta, tão mais vigilante que só não trato a direita abaixo de parasita por respeito aos manetas e pernetas. Conseguiram ensinar-me a usar a faca e o garfo como os destros, mas em tudo o resto sou um canhoto selvagem; e nas noites de lua-cheia, buscando o reencontro com a minha natureza, ao jantar troco a faca e o garfo de mãos*. Porém, a prosa de Miguel Esteves Cardoso pode encantar os jovens, mas não comove este canhoto veterano. 

 

Há por aí uns livrinhos que fazem o elogio ou a apologia do canhoto, invariavelmente escritos por canhotos, cheios de trivialidades como listas de canhotos famosos. E há, de vez em quando, um artigo de opinião à MEC sobre a discriminação a que os canhotos são sujeitos, que começaria na própria falta de percepção dos destros de que nós somos uma minoria desprezada. Por comparação a casos trágicos de injustiça social, esta vitimização, a propósito de uma característica física minoritária que em nada de essencial complica a vida, é tão caprichosa que felizmente ninguém a leva a sério.

 

A única forma que encontrei de lidar com o canhotismo foi a série homónima, que pretende ser uma paródia política. Nela se conta o percurso de Julião, um revolucionário canhoto. Ainda jovem, Julião apercebe-se de que consegue reunir à sua volta um grupo de canhotos. Ambicioso e ciente de que não haverá mais de 10% de canhotos votantes, Julião destila a essência do seu apelo e resolve seduzir todas as minorias, seguindo a intuição de que há uma sensação de abandono entre a vasta maioria que não pertence a alguma das minorias tradicionalmente discriminadas que começaram a adquirir direitos. É com esta coligação de minorias, uma materialização populista da juvenil necessidade de pertença, que Julião conquistará o poder. Pareceu-me um bom enredo para discutir política e oxalá o consiga terminar. Caso contrário, da próxima vez que um canhoto se lembrar do exemplo do raio da tesoura, pressinto que não responderei pelos meus actos e isso preocupa-me.  

 

* Este detalhe é mentira.

19
Mai17

Onfray por Guerreiro

Eremita

Em que consiste o populismo cultural — ou, mais precisamente, o populismo em filosofia — do qual Onfray é um exemplo superlativo? Consiste numa banalização e degradação do pensamento, numa forma de discurso animada por propensões demagógicas que visam atrair o maior número de pessoas. É um apelo ao mais banal senso comum, mesmo quando parece querer destituí-lo. De filosófico, o discurso de Onfray não tem nada: pertence a um género oracular, também usado nas várias modalidades de charlatanismo. Não se trata aqui da popularização da filosofia na época da democracia de massa. Não confundamos popularização com o seu duplo obsceno, o populismo, que é onde se situa o famosíssimo e muito prolífico “filósofo” francês. A primeira regra do populista consiste em prometer a verdade a baixo preço, em encontrar uma verdade ignorada por todos: seja ela que Jesus não existiu ou que Freud e a psicanálise são uma grande impostura. Denunciar as grandes “mentiras” da história da filosofia é o modesto programa do autor de Décadence. Cada livro seu é um panfleto: o populismo cultural é panfletário. O seu método, diz ele, consiste em ler toda a obra de um autor e tudo o que se escreveu sobre ele. Uma descarada mentira, já que uma vida inteira não dá para ler tudo o que se escreveu sobre Freud. E mesmo que desse, pouco tempo restaria para entrar nos longos e complexos meandros histórico-biográficos da figura de Jesus, ainda por cima com a ambição de percorrer dois mil anos para chegar a Bin Laden e atingir as alturas de onde observa o Ocidente a declinar. E, como todo o populista, este também é anti-sistema. Não fala a mesma linguagem técnica dos filósofos profissionais para evitar o jargão técnico. Jamais o apanhamos a falar do esquematismo transcendental de Kant. O seu discurso “filosófico” é para ser compreendido pelos não iniciados, pelos afásicos e surdos para as coisas da filosofia, mas despertos para a tagarelice mediática. O segredo está precisamente aqui: o “filósofo” que encontra para cada livro uma trouvaille, daquelas que são feitas para partilhar no Facebook e para alimentar a cultura jornalística do clique, anuncia-a sempre com grande alvoroço em todos os media. Ele, o que vive na província, que criou a sua própria “universidade popular”, que não quer aproximar-se dos círculos filosóficos parisienses e seus derivados, passa a vida a dar entrevistas, a promover os seus livros na rádio e na televisão parisienses. Evocando-o como exemplo grandioso do populismo cultural, não podemos esquecer que não está sozinho e precisa da solidariedade e da complementaridade dos dispositivos mediáticos. António Guerreiro, Público.

 

 

18
Mai17

Amar pelos dois

Eremita

 

Já tinha dado pelo arranjo que Viktor Vidović fez do tema dos manos Sobral e Luís Figueiredo, também recomendado pelo Plúvio. A diversidade de versões do tema que podemos encontrar no Youtube é desconcertante. Viktor Vidović é um guitarrista croata, irmão mais velho da famosíssima Ana Vidović, que começou a tocar guitarra com ele.   

17
Mai17

Violência doméstica: dar a outra face

Eremita

Há uns meses, testemunhei em favor de um acusado de violência doméstica. Ontem, soube que um amigo foi acusado de violência pela mulher. Têm vários filhos e estão juntos há uns vinte anos; lembro-me que o dia do casamento deles foi muito bonito para todos nós. Ao que parece, as "provas" andavam a ser acumuladas há dois anos. Como não cheguei a estreitar relações com quem acusa, que nunca perdeu o estatuto redutor de mulher do meu amigo, sei que me falta objectividade para apreciar o caso. Entre a completa invenção de alguém sem escrúpulos e o relato exacto de uma vítima destroçada, há um espectro complexo de cenários possíveis, cada qual sujeito a interpretações divergentes. Torço pelo meu amigo, com a esperança de que, a ter havido violência, não passou de um raro safanão ou apertão no braço em duas décadas de vida doméstica.

 

As campanhas contra a violência doméstica e o facto de ter passado a crime público são progressos civilizacionais que não resolveram o problema. O número de mulheres todos os anos assassinadas pelos seus companheiros e os resultados de inquéritos sobre o comportamento dos jovens namorados são ainda assustadores. É preciso que a violência doméstica ganhe o estigma de comportamento absolutamente intolerável e vergonhoso, uma evolução que, por causa da componente passional, se afigura mais lenta do que aquela por que passou nas últimas décadas a pedofilia. É preciso também que estejamos atentos ao modo como, ao longo dos anos, a interpretação da lei feita pelos juízes vai sendo feita e se vai mudando a frequência de acusações sem fundamento. É natural que, numa longuíssima primeira fase, ainda que em teoria todos os cidadãos sejam inocentes até prova em contrário, os homens sejam os suspeitos do costume, com toda a interferência na objectividade que esta evidência estatística acarreta, porque eles são efectivamente são os suspeitos do costume. Entretanto, o que pode um homem fazer? Não bater. Não bater nunca. Não bater na mulher, como não se bate num bebé, isto é, reconhecer e interiorizar a assimetria de género que existe nesta matéria, que tem bases biolóicas e sociais, por muito que a sociedade nos diga que as mulheres e os homens são iguais. Não são. A mulher pode dar uma chapada. Ao homem resta oferecer a outra face ou abortar a discussão e fugir. Poderá não o fazer com uma ética de convicção, mas é a ética de responsabilidade que, contra a opinião de marialvas, progressistas e líricos, se recomenda aqui de Ourique. 

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