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Ouriquense

26
Jul17

Memória como adaptação ao passado

Eremita

For the purposes of this review, we consider memory as any perturbation in a system, caused by external stimulation, which persists past the cessation of the initial stimulation and alters the system’s responsiveness to subsequent stimulation. Thus, memory, in the broadest of terms, is an adaptation to the past. We should point out that this definition of memory can also apply to many perturbations in non-biological systems, including viscoelastic deformation, anomalous diffusion, capacitor voltage changes, and stock market fluctuations. Gajos que não leram Proust. 

24
Jul17

A questão cigana precisa dos ciganos

Eremita

 

Ciganos d'Ouro. Os aficionados da guitarra reconhecerão entre os elementos do grupo o então jovem Pedro Jóia . 

 

A exclusão e a marginalização explicam a elevada incidência de subvenções estatais contra a pobreza, que são vistas pela população igualmente pobre, mas muito menos excluída, como sendo os ciganos gente “que não quer trabalhar”. O que o silêncio patrulhado que existe sobre os desmandos de alguns grupos de ciganos, principalmente nos subúrbios como Loures e Odivelas, oculta, é que não é a classe média, e muito menos os ricos, que contactam com eles, mas os mais pobres e menos protegidos dos portugueses. É aí que nasce o populismo, no facto de para muita gente, cuja condição económica não é muito diferente da de muitos ciganos, isto parecer ser uma profunda injustiça. E são também eles que presenciam e testemunham muitas pequenas violências de grupo, impondo o número e uma ostentação de ameaça, para quem está numa fila para receber a sua reforma numa estação de correios, ou numa sala de espera de um hospital, ou numa escola onde um problema de disciplina escolar com um aluno cigano atrai comportamentos de imediata agressão. Pode-se dizer que o contrário também sucede, e é verdade, mas estamos a falar de locais e incidentes onde há significativo número de ciganos e famílias ciganas como acontece em certos bairros sociais e escolas de Setúbal. E, como qualquer estudioso do populismo sabe, são muitas vezes este tipo de pequenos incidentes, repetidos diante da inacção e do medo das autoridades, que têm um efeito devastador nos sentimentos anti-ciganos. Pacheco Pereira, Público

 

Se esta prosa de Pacheco Pereira tem o mérito inegável de excluir da discussão a direita assanhada que opina no Obsevador, duvido que seja um ponto de partida para uma discussão com a esquerda de Manuel Loff e Rui Tavares. Porque é muito sintomático que até uma personalidade com a sensibilidade social de Pacheco Pereira escreva um texto em que explica o racismo aos ciganos com base em comportamentos desta etnia que são violações do Estado de Direito, dando essencialmente razão a André Ventura, sem por uma vez referir que o Estado de Direito e a sociedade ocidental também excluem os ciganos, sendo inúmeras as situações de discriminação desta etnia: uma família cigana é impedida de entrar num restaurante, um morto cigano não pode ser enterrado no cemitério escolhido pela sua familia, um cigano é baleado por um polícia por ser cigano e na dúvida prende-se toda a família cigana, entre muitos outros casos. Naturalmente, da esquerda também se esperaria que, ao lembrar que os ciganos são 5% da população prisional e menos de 0,5% da população nacional, não assobiasse para o ar perante as tradições ciganas que são incompatíveis com os valores de uma sociedade ocidental, nomeadamente a estrutura patriarcal que condena muitas meninas e raparigas ciganas a vidas miseráveis. Enfim, ninguém em Portugal é capaz de discutir este problema sem esquecer todas as suas dimensões e produzir um discurso e acção que vão além da tradição académica e diplomática, que se vangloria dos seus bons sentimentos mas aceitou o status quo.

 

 

Enquanto não forem os líderes das comunidades ciganas e ganhar voz e insistir para que as raparigas das suas comunidades fiquem na escola e as gerações mais novas subam na vida pelos estudos, entre outros ajustes indispensáveis para acabar com o estatuto de exclusão desta comunidade, nada mudará e haverá sempre um André Ventura a aproveitar as oportunidades. Como se conseguirá esta mudança? Não tenho a menor ideia, mas sei que os protagonistas da discussão precisam de mudar. 

23
Jul17

A desconfiança que merecemos

Eremita

Foi apenas a um mês de completarem dois anos que as minhas filhas, no mesmo dia, resolveram aceder aos meus pedidos insistentes e beijar o pai. Foram cruéis, mas espero que continuem a tratar todos os homens com a desconfiança que merecemos.

22
Jul17

O glorioso Alberto Gonçalves

Eremita

Alberto Gonçalves tem uma prosa humorística superior à de Ricardo Araújo Pereira e só ainda não ganhou um prémio de crónica por ser de direita. Esta conclusão parece-me objectiva, apesar dos problemas domésticos que RAP me provoca e nunca escondi. Se dúvidas houver, leiam a última crónica no Observador de Alberto Gonçalves, um dos melhores exemplos do seu brilhantismo como humorista, mas também um exemplo do primado da forma sobre o conteúdo. Gonçalves escreve como se Helena Matos tivesse aprendido a pontuar a prosa e Henrique Raposo descoberto a subtileza literária, mas como é infinitamente mais engraçado e melhor escritor do que estes seus companheiros críticos do "marxismo cultural", o seu caso acaba por ser o mais trágico. Porque se é verdade que numa sociedade totalitária o humor desempenha um papel crucial, por servir para dizer o que não pode ser dito, numa sociedade aberta o humor apenas serve para não comprometer o autor. Um pensamento de direita convicto, que não seja meramente reactivo e irónico, implica uma coragem e uma qualidade de raciocínio raros. Existe em Portugal alguém com a coragem e clareza de Douglas Murray, um dos grandes críticos da multiculturalismo no Reino Unido? Duvido. Make no misktake: Murray também sabe ser hilariante, mas o seu humor é um bónus. Para agradar ao leitor de direita, Gonçalves passou a tomar as suas hipérboles pela realidade, inventando um país que não existe, e viciou-se no humor. Ele é - cada vez mais - um cronista para se levar a sério apenas na brincadeira.

20
Jul17

Sapiência e decência

Eremita

O discurso de André Ventura é despudoradamente eleitoral. Provavelmente saiu de um focus group que lhe diz que as suas possibilidades eleitorais estão nos segmentos ressentidos dos estratos mais baixos das classes médias que lutam arduamente para ter um nível de vida de mínima qualidade e que não atribuem as suas dificuldades às injustiças do mundo mas aos seus companheiros de sofrimento que estão um ou dois patamares abaixo e vivem em habitação social, recebem transferências sociais, têm vidas precárias. O que inspira André Ventura é a convicção de que as correntes sociais de estigmatização podem ser a sua oportunidade eleitoral.
Não me custa a acreditar que o jurista, professor universitário, etc André Ventura não fosse racista. Por isso mesmo o seu comportamento político é repugnante. Por não sair das catacumbas da ignorância de onde sai o PNR... Paulo Pedroso

 

Paulo Pedroso pode estar certo e não sobram dúvidas de que faz uma análise política convencional, com um grau de sofisticação muito sedutor, pois o leitor pela-se sempre por um processo de intenções: André Ventura não será um racista mas um oportunista, um cínico, um manipulador, enfim, um populista. Pode ser, sei lá eu. No que reparei mesmo foi num pressuposto elitista no raciocínio de Paulo Pedroso, que incomoda bastante no contexto em que escreveu. Segundo Pedroso, uma pessoa com instrução não pode ser ou - para ser mais rigoroso - provavelmente não será racista. Trata-se de uma ideia que até pode ter algum suporte empírico estatístico naqueles inquéritos em que os sociólogos estratificam as populações segundo o grau de instrução, mas não faltam exemplos de intelectuais associados a movimentos racistas ou xenófobos, dos primórdios da História aos dias de hoje. Independentemente dos números e da estatística, não podemos fazer aquilo que os franceses designam por "essencialisation", i.e., julgar os indivíduos por atacado, como meros exemplares de um grupo a que colámos um rótulo qualquer. Trata-se de uma regra preciosa, difícil de praticar por ir contra a nossa intuição e lógica probabilística, mas que é a única que nos permite lutar contra o racismo e o preconceito sem ignorar a realidade, sempre complexa e por vezes cruel. Por isso, analisar um comportamento aparentemente racista partindo de um pressuposto d'essencialization é, salvaguardadas as devidas distâncias, como praticar um crime para prender um criminoso.   

 

 

 

20
Jul17

"A Nossa Confusão Moral"

Eremita

As in the Charlie Gard case, there are reasonable arguments on both sides of the debate. But it is difficult to divine the moral logic of insisting that Charlie must die with dignity, despite there being a possible treatment, and against the desperate pleas of his parents, while refusing to allow a terminally ill, morally competent individual that same right. Kenan Malik, NYT

19
Jul17

Fé nos homens

Eremita

A propósito da polémica suscitada pelas mais recentes declarações de Gentil Martins, li opiniões tão destituídas de empatia, graça, lógica, leituras, mundo e gramática que precisei de ir à procura de novas vozes que me restaurassem a fé nos homens. Os três blogs que sugiro, entram hoje na coluna da direita:

 

Estátua de Sal

Kyrie Eleison

Ponteiros Parados

 

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