Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017
Segunda-feira, 16 de Janeiro, 2017

Alguém tem textos de Patrícia Cabral, "que foi nos anos 1980 a mais iconoclasta crítica literária portuguesa"?



Eremita às 11:35
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Segunda-feira, 16 de Janeiro, 2017

O que é, para si, um bom livro? 

Qualquer um que nos revele a verdadeira dimensão da nossa ignorância.

Bruno Vieira do Amaral

 

Admiro muito o Bruno. Não somos íntimos, mas chegámos a partilhar um blog e a trocar palavras de incentivo, quando ele ainda não era um escritor premiado. Como não admirar alguém que conseguiu fazer um bom livro a partir das recordações de infância, essa matéria-prima tão traiçoeira? Também o admiro por despachar com fórmulas eficazes a actividade paraliterária de que é hoje feita a rotina de um escritor. A leviandade com que os jornalistas fazem perguntas de uma complexidade capaz de levar um homem a perder-se num deserto de introspecção durante dias merece ser tratada com a técnica que deixe um escritor a salvo das solicitações.



Eremita às 11:05
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Domingo, 15 de Janeiro de 2017
Domingo, 15 de Janeiro, 2017

 

Anos oitenta: os meus amigos ouviam The Cure e The Smiths. Eu ouvia Mike Oldfield, com 15 anos de atraso. Nunca mais recuperei o atraso em relação à pop cantada. Mas na esmagadora maioria dos casos, as palavras só incomodam. 



Eremita às 21:16
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Sábado, 14 de Janeiro de 2017
Sábado, 14 de Janeiro, 2017
[em actualização]
 

Odorico Paraguaçu queria um defunto para inaugurar o cemitério que mandara construir. João Miguel Tavares (JMT) queria povo nas ruas para honrar o falecido Soares e compor a fotografia. Convém lembrar que só Odorico é uma personagem de ficção. A morte de Soares teve repercussões do foro clínico na nossa imprensa. Depois do delírio hagiográfico de Pedro Santos Guerreiro, JMT veio queixar-se de que não sabemos honrar os nossos heróis. Naturalmente, para ele os heróis são militares ou políticos, como seria de esperar num homem sem imaginação. Vamos decompor. 

 

A conclusão de que o povo não honrou Mário Soares ao não comparecer em massa ao seu funeral é muito discutível. Soares teve um funeral de Estado organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e creio que se procurou realizar uma cerimónia no claustro dos Jerónimos para ser acompanhada no local pelas elites e na televisão pelo povo. Ter o funeral de Cunhal como termo de comparação não faz muito sentido, pela capacidade de organização do PCP e a sua ligação ao povo, como também não faz sentido a comparação com o funeral de Sá-Carneiro, desaparecido ainda novo, quando era Primeiro-Ministro há menos de um ano, em circunstâncias trágicas e inesperadas. Soares morreu ao fim de uma longa vida em que as duas últimas décadas foram marcadas por episódios algo embaraçosos para uma figura com uma biografia tão excepcional, como a candidatura falhada a presidente do Parlamento Europeu e o apoio incondicional a José Sócrates. Como se não bastasse, as duas últimas semanas de Soares foram passadas no hospital da Cruz Vermelha e os comunicados quase diários sobre o seu estado de saúde, vagos, repetitivos e - convenhamos - desnecessários, só serviram para nos dessensibilizar em relação ao anúncio esperado da sua morte. Soares viveu mais do que quase todos os seus contemporâneos e quem tem menos de 40 anos lembra-se de um presidente afável e não de um lutador pela liberdade. Os que sobram não têm muito vagar ou saúde para ajuntamentos populares em dias de trabalho. São motivos suficientes para que não seja chocante a relativa falta de povo. De resto, se teria bastado oferecer bandeirinhas para encher os passeios, de que nos queixamos? 

 

O que talvez tenha sido óbvio foi o desajuste entre as emoções e energia expressas pelos media, dominados - do jornalismo das redacções à "opinião" - por quem tem uma relação profissional intensa com a política, e o povo, que tem outros interesses profissionais e cuja palavra nos media é meramente decorativa (os directos a partir da rua) ou serve para baixar os custos de produção no horário menos nobre (os programas à base de telefonemas de ouvintes ou telespectadores). Esse desajuste não se observou, por exemplo, nos funerais de Amália e Eusébio, figuras mais consensuais do que Soares, não só porque os grandes desportistas e artistas não geram tantos atritos como os grandes políticos, mas também porque são igualmente admirados pelas elites e o povo.

 

Por não ter havido um banho de multidão no funeral de Soares, o povo, essa massa ingrata e ignorante, levou um puxão de orelhas dos três conhecidos antifascistas com ficha na PIDE e duros anos de exílio que fazem o Governo Sombra

 

Continua!

 

Continua!



Eremita às 17:00
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Sábado, 14 de Janeiro, 2017

Quando me perguntam como é viver com 5 mulheres, escondo a minha preocupação. Não tenho dúvidas de que é muito melhor do que viver com 5 homens e nem preciso de puxar pela imaginação, bastando recordar a correlação negativa óbvia entre o asseio das cozinhas de corredor e o número de homens por corredor na casa de Portugal da Cité Universitaire (Paris), e ainda, o que será talvez mais significativo, o maior interesse que as mulheres me despertam. Mas apesar de nunca ter desejado um filho homem (a desenvolver), apesar de a chegada das gémeas ter sido um daqueles acidentes que deixam um ateu a dar graças a Deus, por vezes dou comigo a pensar no que seria a dinâmica doméstica se houvesse outro homem em casa.

 

Há minutos, a L. lembrou-se de usar a garrafeira dos vinhos para arrumar os pacotes de leite, a saber: leite gordo Mimosa (para as bebés) e leite meio-gordo Matinal (para os restantes). Entendamo-nos: eu percebo e até sinto o gozo de subverter a natureza da garrafeira, para mais justificado pela necessidade de espaço numa cozinha minúscula e por muito pouco vinho se beber nesta casa, que nos deixa a salvo do mero capricho. Não sinto sequer qualquer embaraço em mostrar uma garrafeira de leite aos meus amigos homens e alinharei nas brincadeiras que se antecipam facilmente. Apenas receio que este episódio seja uma manifestação mais conspícua de uma tendência constante e sub-reptícia que, pela simples força da desproporção (5 contra 1), entre outras forças (a desenvolver), me impedirá de iluminar as minhas amazonas com os aspectos positivos da mundivivência masculina (quais? Bem... a desenvolver).


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Eremita às 10:40
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017
Quinta-feira, 12 de Janeiro, 2017

Há vários anos que o Judeu se queixa de episódios de somatização da ignorância alheia. Creio que esta síndrome não está ainda descrita, mas posso confirmar o fenómeno, por muito que me custe admitir que propositadamente lhe causei um furúnculo quando me negou o Citroën, tendo bastado insultá-lo como se não soubesse a diferença entre judeus sefarditas e asquenazes. Naturalmente, fora das altercações digo-lhe para ter as cautelas óbvias, como evitar programas radiofónicos com participação do auditório e televisão enquanto há luz natural, mas ele raramente me dá ouvidos e gosta de se distrair durante os trabalhos manuais. Há uns dias, o Judeu bateu-me à porta muito transtornado. Vinha com urticária na cara e nos antebraços, as mãos tremiam-lhe e o cabelo desgrenhado era sinal da sua luta contra o corpo. Também suava, mas não gaguejou quando me relatou os erros científicos do Dr. Manuel Pinto Coelho. 

 

- Tu sabes quem é o gajo? A assertividade com que repete as asneiras chega a ser invejável. O que ele diz sobre a esperança de vida no Paleolítico, meu Deus... E sobre o genoma do trigo? Ouve, ouve, isto só ouvido.

 

Oiçam. Se tiverem dúvidas, o Judeu já nos ameaçou com um artigo de fundo. Entretanto chegou o saco de boxe que me lembrei de lhe oferecer, pois a minha tese é simples: o Judeu precisa de vias de escape para a sua raiva reprimida. 

 

 



Eremita às 18:28
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Quinta-feira, 12 de Janeiro, 2017

O "No child left behind", slogan de Bush (o filho) sobre a educação, foi depois reciclado em "No child's behind left" por Christopher Hitchens, quando se referia às práticas pedófilas de padres católicos. Após a morte do patriarca Karamásov, o meu mote "No book left behind" também se corrompeu em "No book left beyond". É preciso descobrir o responsável que primeiro espalhou o boato de que Os Irmãos Karamásov é um dos melhores romances de todos os tempos. Não é. E agora que morreu a sua melhor personagem, não serão os filhos a salvá-lo. Falta-me cerca de um quarto e cumprirei o plano, mas sabe Deus a que custo. Que Musil me perdoe. 



Eremita às 09:10
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017
Quarta-feira, 11 de Janeiro, 2017

Há uns tempos, num julgamento, um advogado perguntou-me se eu era bipolar. O juiz apressou-se a censurar o advogado, mostrando alguma indignação. Foi uma curiosa sucessão de equívocos. O primeiro: a cidadã que informou o advogado e com quem cheguei a coabitar umas semanas, enganou-se na doença, ignoro se por ignorância ou malícia. O segundo: o advogado pensou que me descredibilizaria na qualidade de testemunha e provavelmente não sabe que Stephen Fry, um homem infinitamente mais eloquente, credível e influente do que ele, é bipolar. O terceiro: o juiz reagiu como se a pergunta fosse ofensiva e não irrelevante. 



Eremita às 10:29
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Quarta-feira, 11 de Janeiro, 2017

Ainda pode haver habermasianos na Rinchoa (a minha frase preferida dos Gatos Fedorentos), mas nunca houve grandes melómanos na blogosfera. Ontem descobri o blog Xilre, que rema contra a maré. 



Eremita às 08:56
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017
Terça-feira, 10 de Janeiro, 2017

Recebi hoje o primeiro abraço forte de uma das bebés. Dizer o quê? A única vantagem para os leitores do Ouriquense de eu ter sido um pai tardio, já ciente das suas limitações, é a inibição de publicar aqui poesia sobre os grandes momentos da vida doméstica. 



Eremita às 21:52
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Terça-feira, 10 de Janeiro, 2017

Quando várias pessoas escrevem num período curto de tempo sobre o mesmo assunto, a competição surge espontaneamente. De tudo o que li, é a redacção de Pedro Santos Guerreiro (PSG) sobre Soares que mais se destaca. O traço óbvio do estilo de PSG são os encadeamentos de frases curtíssimas, um tiki-taka que potencia qualquer efeito, da indignação ao elogio. Neste caso, o que temos é sobretudo um caso extremo de prosa para extasiar o leitor, que deve ter arrebatado o próprio autor, como tende a acontecer a quem usa anáforas. Não sei se PSG tem grandes referências literárias, mas é óbvio que o homem viu todos os episódios escritos por Aaron Sorkin. 

 



Eremita às 14:42
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Terça-feira, 10 de Janeiro, 2017

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Ricardo Araújo Pereira (RAP) frisa que não se trata de um trabalho académico, mas no seu "A Doença, o Sofrimento e a Morte..." reproduz a tradição académica vetusta dos títulos modestos, tantas vezes iniciados pela expressão "Contributo para" (ou "Contribuição para"), pois lembrou-se de inserir o característico "Uma espécie de..." no subtítulo que explica tratar-se de um "... manual de escrita humorística". A autodepreciação é um traço forte e aborrecido de RAP, mas seria injusto condená-lo pela capa, já que também Mário de Carvalho, quando tentou explicar a sua arte, fez o mesmo: "Quem disser o contrário é porque tem razão". Não vou ao ponto de descrever a incapacidade de um autor dizer ao que vem como um caso de "não-inscrição" lusitana (Zé Gil), mas, após ter iniciado o guia de RAP, comecei a ler um livro sobre o humor, de académicos estrangeiros, e o contraste não podia ser maior: enquanto RAP não defende com clareza o que pretende (prestigiar o humor), apesar de o alcançar com enorme economia de páginas, os académicos estrangeiros enunciam o seu plano ambiciosíssimo (uma teoria mecanicista do humor, que vá além da fenomenologia) de forma clara e reiterada, ficando a demonstração científica por fazer. Para que não sobrem dúvidas: o livro de RAP não é um guia, nem um manual, nem sequer um contributo para isto ou aquilo, mas uma master class em que os exemplos escolhidos substituem as peças que neste formato de aula os músicos aprendizes apresentam ao mestre. E quem disser o contrário é parvo. 

 

Do que já se escreveu sobre o livro (Miguel Esteves Cardoso, 2, 345 e 6), esta passagem pareceu-me a mais pertinente:

RAP é alegadamente o melhor humorista que temos no ativo [Herman nos seus tempos áureos foi superior] mas é um esforçado teórico do humor: o livro lê-se como uma parte de uma tese de mestrado, uma revisão de literatura, digamos, em que o autor não teve tempo nem disposição para escrever as conclusões. como o estudante que tem que entregar o trabalho com a guilhotina do prazo à vista: parece que o livro teve que ser editado em dezembro a tempo de caber numa meia pendurada numa chaminé. vinte mil exemplares vendidos, proclama a capa: são muitas meias recheadas, digo eu. o problema de RAP é tentar explicar o humor e acabar mesmo por explicá-lo: o efeito é anticlimático como quando se disseca uma anedota. não é uma teoria do humor: é uma lista incompleta de técnicas baseadas maioritariamente em exemplos televisivos [verdade seja dita: não exclusivamente, há também Joyce, Shakespeare e Lodge, entre outros] a que RAP faz a autópsia. devorei numa penada, é certo, mas não me ri uma vez que fosse. posso não rir a ler a escrita de Bergson sobre humor, mas de RAP espero mais. como humorista, RAP sabe que as piadas não carecem de explicação. se carecerem, é de piada que carecem. Xilre
 
Discordo do essencial da crítica: um livro sobre técnica de escrita humorística não tem a obrigação de ser divertido. Aliás, como o próprio Xilre recorda, quando se explica uma piada perdemos a graça, pelo que quem abrir este livro com a expectativa de se divertir muito é, no mínimo, ingénuo. O livro deve ser julgado sobretudo por aquilo que parece ser (uma aula sobre técnicas de humor) e aquilo que pretende ser (um panegírico ao humor e aos humoristas), sem esquecer a sua tese principal: para RAP, o humor existe porque temos consciência da morte, ou seja, ele diz do humor o que muitos dizem da religião. Creio que estes estão certíssimos e que RAP está profundamente errado, em parte por lhe interessar menos a verdade do que na promoção do humor. 
 

Continua.  Continua mesmo, mas preciso de terminar algumas leituras, pois o texto em que pensei obriga-me a recorrer à psicologia evolutiva, o que me deixa a dar voltas na cama. Entretanto, relembro que, apesar de dar ares de estratégia de fidelização de leitores, a ideia do post-folhetim, isto é, um texto que vai crescendo ao longo de alguns dias, já praticada no post "O Problema de Ricardo Araújo Pereira", destina-se a baixar a minha ansiedade e forçar-me a terminar os livros que abro; o Ouriquense, inicialmente pensado como sebenta de escrita, é cada vez mais sobretudo um estímulo às minhas leituras. 

 

 

 

 



Eremita às 09:42
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Terça-feira, 10 de Janeiro, 2017

escritor amador é um embuste até prova em contrário. Nisso não se distingue do fotógrafo amador. Melhor do que os dois é o músico amador, pois percebe-se logo se tem técnica e quantas horas investiu no instrumento, e o pintor amador, pois a logística da pintura demove os menos motivados. Também o amador da magia, das artes circenses ou de algum desporto técnico (o que exclui o jogging e o ginásio) merece  à partida mais respeito do que o escritor e o fotógrafo. Escrever e fotografar são actos fáceis, no sentido em que quem os pratica pode deslumbrar-se facilmente com o que fez. Qualquer pessoa consegue esgalhar um parágrafo de prosa poética túrgida de sentimento e fotografar a seguir um pôr-do-sol ou um rosto enrugado, naturalmente a preto e branco. Não admira que estas duas formas de expressão dominem as redes sociais e que, mais tarde ou mais cedo, uma qualquer figura pública publique um romance, uma recolha de poesia ou um livro de fotografias. Seria menos ridícula a figura pública que resolvesse estrear um número de malabarismo. 



Eremita às 09:10
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2017
Segunda-feira, 09 de Janeiro, 2017

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Terminei O Dom Casmurro na esplanada de um café de Acra, no Gana, no princípio de Janeiro de 2010. Era já noite, estava sozinho e fazia tempo para apanhar o táxi que me levaria já na madrugada do dia seguinte ao aeroporto. Lembro-me bem, pois uma rapariga autóctone meteu-se comigo e não tive assim tantas dessas noites. Contar este episódio levanta um problema: se escrevo que a rapariga era uma prostituta, em tom factual ou apostando no humor autodepreciativo, revelo-me preconceituoso; se afirmo que se tratava de uma jovem estudante que se interessou por mim por eu estar a ler, passo por totó. Nunca saberei quais eram as intenções da moça, apesar de termos falado alguns minutos, mas inclino-me para a segunda hipótese, por me ter parecido genuinamente interessada no que eu lia. De resto, tinha óculos. Mas vamos ao que realmente interessa: a obra completa de Machado de Assis (em pdf).

 

 



Eremita às 11:11
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Domingo, 8 de Janeiro de 2017
Domingo, 08 de Janeiro, 2017

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A 24 de Julho de 2013, perto da barragem do Monte da Rocha, a L. desenhou-me passando o dedo no monitor de um tablet. Acabáramos de piquenicar, não sei se à sombra de um sobreiro, uma azinheira ou um eucaplito, e não me apercebi que estava a ser tão observado. Este simples esquisso, feito num par de minutos, é o melhor presente que recebi na vida. Feliz aquele que ama e é amado por uma mulher que sabe desenhar. O que lia? Schopenhauer, creio, esse grande misógino.



Eremita às 22:16
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Sábado, 7 de Janeiro de 2017
Sábado, 07 de Janeiro, 2017

O Judeu, que vê televisão, falou-me com alguma irritação da estreia de um programa na RTP2 intitulado "Cultura Geral", da autoria de Anabela Mota Ribeiro.

- Aposto que poucos serão os convidados que saberão as leis de Newton ou explicar o princípio da incerteza de Heisenberg.

Mostrei-me expectante e ele continuou.

- Nesta terra, a cultura é associada às humanidades.

- Ora, vais ver que convidam o professor Alexandre Quintanilha.

- Claro. Haverá um cientista. Será o "amigo preto" para a preservação do status quo. A Anabela Mota Ribeiro já ouviu dizer por aí que a ciência também conta. Ouviu, se calhar até percebeu, mas não sentiu.

- Exageras.

- Exagero? Vasco Pulido Valente, que se orgulhou publicamente de não saber fazer uma conta, é considerado uma pessoa culta. Como queres tu que alguém perceba o meu projecto de vida?

- A máquina?

- A máquina. 

- Conheces enunciar as leis de Newton? 

Corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum... nisi quatenus a viribus impressis cogitur statum illum mutare. Esta é a primeira. Sabes o que diz?

- Bem, a tua pronúncia...

- Palerma. Olha, a primeira lei é sobre o status quo, precisamente. Conheces a segunda?

- Não. Mas sei de cor o Cântico Negro.

- Então és cultíssimo. A Anabela ainda te convida. 

 



Eremita às 09:05
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2017
Sexta-feira, 06 de Janeiro, 2017

Fecunde. Fique por perto. Faça o necessário. Vinte a vinte e quatro meses depois, pegue num boneco de pelúcia, de preferência maior do que um coelho, mas sem precisar de atingir o tamanho de uma ovelha. Coloque-se a uns três ou quatro metros do seu bebé, tendo o cuidado de garantir que o percurso que vos separa é acolchoado ou, no mínimo, atapetado. Ponha-se de cócoras ou de joelhos e coloque o boneco rente ao chão, virado para o bebé. Anime o boneco com movimentos frenéticos, mas sem o tirar do lugar, nem lhe descolar o ventre do chão; pode combinar o gesto mecânico com vocalizações, mas não é obrigatório. O bebé aproximar-se-á num gatinhar rápido, sorrindo de antecipação, e afocinhará no boneco de pelúcia, ficando depois imobilizado no chão, abraçando o boneco com a alegria de um guarda-redes que segura a bola após uma defesa apertada nos instantes finais de uma partida quase ganha. Espere que o bebé solte o boneco antes de se afastar três ou quatro metros e repetir a brincadeira. Pode viciar.

 

PS: se tiver gémeos, basta usar dois bonecos ao mesmo tempo, mas procure evitar as cabeçadas quando os bebés afocinham.


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Eremita às 20:46
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Sexta-feira, 06 de Janeiro, 2017

Os poucos que acompanham o Ouriquense conhecem a minha admiração por António Guerreiro. Ele e José Pacheco Pereira, por motivos diferentes, são os únicos cronistas que procuro ler sempre. Com menos disciplina, acompanho outros, inclusive João Miguel Tavares, o cronista que se promove da forma mais eficaz no tempo que vivemos, e Vasco Pulido Valente, que já não nos ensina nada e é hoje apenas um eco familiar.  Mas são Guerreiro e Pacheco Pereira os únicos cronistas substanciais. E quando resolvem interagir, é como se a imprensa, por instantes, se restaurasse. Foi o que aconteceu esta semana, com a resposta de Guerreiro a uma crónica marcante de Pacheco Pereira sobre a "nova ignorância". Imperdíveis. 

 



Eremita às 09:02
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017
Quinta-feira, 05 de Janeiro, 2017

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A entrevista é de 5 de Maio de 2016. Don Delillo fala com Michael Silverblatt sobre o romance K Zero. Discutem a criopreservação, a ambição de escapar à morte e a arrogância do ser humano, temas adequados para ouvir enquanto se muda fraldas e se tenta adormecer duas bebés. De Delillo é um mestre: ambas agora ressonam.


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Eremita às 21:14
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Quinta-feira, 05 de Janeiro, 2017

Antes de "pós-verdade", a palavra da moda era "inverdade". Talvez o problema seja a profusão de eufemismos para a mentira. 



Eremita às 19:00
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Quinta-feira, 05 de Janeiro, 2017

Alberto Gonçalves e José Vítor Malheiros são cronistas antagónicos. O primeiro é de direita e privilegia o estilo, soando cínico e desligado, enquanto o segundo é de esquerda e privilegia a substância, soando moralista e engajado. Gonçalves deixou de escrever no Diário de Notícias de Paulo Baldaia e num blog de direita já se diz que foi silenciado. Malheiros também deixou de escrever no Público de David Dinis e já dizem os seus leitores que foi silenciado. É possível que os jornais se estejam a radicalizar, sentindo a pressão do Observador, que reúne a mais ideologicamente coesa equipa de colunistas. Mas nada disto é trágico. Gonçalves continua a escrever na Sábado; Malheiros tem a sua rede de contactos e encontrará um poiso qualquer, é só uma questão de tempo. Devemos guardar a indignação para outros assuntos. Não há concurso público para colunista e a meritocracia no colunismo é muito difícil de medir de modo objectivo, sem sectarismos. Os colunistas sempre foram contratados e despedidos em função dos interesses e humores das direcções e dos donos dos órgãos de comunicação. Não há outra maneira e ainda bem. Uma pessoa não deve viver do colunismo, deve ter uma profissão e poderá escrever coisas nos jornais, como um passatempo remunerado. É a única maneira de uma pessoa séria não se levar demasiado a sério. 



Eremita às 09:10
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2017
Quarta-feira, 04 de Janeiro, 2017

Como ferramenta de retórica, imaginar que práticas correntes aceites pela sociedade serão inaceitáveis no futuro tem duas vantagens sobre o exercício inverso de lembrar práticas hoje proibidas ou censuradas que já foram aceites: quem especula sobre o futuro liberta-se dos factos, o que lhe convém, e quem o escuta é surpreendido ao se ver descrito como um bárbaro apenas salvo pelas circunstâncias, jogando esta perturbação emocional a favor do adversário. 

Continua



Eremita às 22:08
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Quarta-feira, 04 de Janeiro, 2017

Alerta: há um novo post no Homem à Janela. Os posts de Alberto Velho Nogueira não tem só gravitas, têm mesmo gravidade, pois são como buracos negros que sugam toda a atenção. É preciso resistir-lhes durante o dia, para não comprometer o empreendedorismo, e resistir-lhes durante a noite, para não perturbar o sono. 



Eremita às 13:37
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Quarta-feira, 04 de Janeiro, 2017

A leitura do terceiro livro dos Karamásov tem sido algo penosa. Depois do magnífico episódio da morte do monge, nada de muito interessante ocorreu. Mítia, o Karamásov dado às tentações da carne, é demasiado ciumento para ganhar o meu respeito. E é nestas alturas, quando o enredo não prende e escasseiam as reflexões do narrador, que um leitor fica menos tolerante. Ora, é sabido que as contribuições dos russos mais perniciosas para a humanidade foram o comunismo e as variações sobre os nomes próprios, que incluem diminutivos e outras formas. Como se não bastasse a fonética estrangeira, que dificulta a memorização como a fisionomia asiática dificulta a identificação, cada nome aparece metamorfoseado mais de uma vez, como se um chinês mudasse de penteado todos os dias. O resultado é uma enorme confusão na cabeça do pobre leitor português, sobretudo quanto às personagens femininas. E então estamos nisto: Mítia destrói a sua vida por causa de uma mulher e eu não consigo distinguir a aristocrata da sopeira. 



Eremita às 09:14
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017
Terça-feira, 03 de Janeiro, 2017

[Actualização]

O Tiago Cavaco escreveu um belo texto (post de 28.12.16) sobre as impressões de um protestante que visita Roma.

 

Descobri hoje o blog Mãe Preocupada.  

 

A ideia persiste, mas não tive ainda fôlego para criar o braço político do Ouriquense (hesito entre O Clarim de Ourique e Novas Batalhas de Ourique). Entretanto, recomendo o Ladrões de Bicicletas e o blog de Pedro Lains.

 

Na Antologia do Esquecimento, uma lista de livros pensada com originalidade, em que se premeiam até os agradecimentos, as epígrafes e as dedicatórias. Aprende, Pedro Mexia, aprende...

 



Eremita às 08:38
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017
Segunda-feira, 02 de Janeiro, 2017

Quase todos os grupos de amigos e famílias incluem um elemento que não casou, nem vive em união de facto, nem "constituiu família". Os estereótipos abundam, do amigo que se fez seminarista, ao tio gay, passando pela amiga que sofreu um grande desgosto de amor e nunca mais quis saber dos homens. Bem sei que estes exemplos são anacrónicos, pois há uma crise de vocações, os gays já podem casar e encontraram formas de viver a parentalidade, e nestes tempos de hedonismo e individualismo, em que o grotesco "ama-te" do life coaching é o novo slogan, o amor romântico só existe na ficção. Mas o fenómeno persiste e apenas precisamos de seleccionar ou actualizar os estereótipos. Um  estereótipo que persiste e tem sido tonificado é o do amigo solteirão que entendeu apostar nos amores passageiros e vive picos de paixão sucessivos. Este amigo - dizem-me - é o terror dos casais dele amigos, pelo potencial desestabilizador da sua presença. Já outros defendem o inverso, pois o amigo solteirão, ao contar as suas paixões, oferece uma experiência vicária que atenua as frustrações da monogamia perene. Não me reconheço em nenhum destes cenários contrastantes. Tenho um amigo que se apaixonou recentemente e o prazer que retiro do que ele me conta é bem inocente; não me desperta qualquer inveja, nem me faz sonhar. O meu problema é outro.

 

Tenho um amigo que vive na Alemanha e me visita no Natal. Não lhe conheço vida passional, nem o assunto é tema das nossas conversas. Este amigo organiza a sua vida profissional para poder andar um mês inteiro de férias, viajando quase sempre sozinho. Mesmo quando não acabou de vir de um sitio exótico como a China, o que ele conta desperta-me o interesse, como a sua recente viagem da Alemanha a Portugal num daqueles carros carismáticos que pedem nome próprio, uma velha carrinha Volkswagen que chega a dar 80 km/h, mas, como ele diz, "apenas no meu conta-quilómetros". Ao cair da noite, o meu amigo "virava na primeira à direita", procurava um sítio tranquilo onde estacionar a carrinha, comia qualquer coisa e praticava as partes de clarinete da peça que a banda apresentará no princípio do ano, para depois se deitar no colchão que leva na parte de trás da carrinha. Para que se perceba onde quero chegar, convém que não nos fixemos em detalhes como o astado de asseio do colchão e a logística da higiene matinal. O importante é o meu amigo virar na primeira à direita ao cair da noite. Há quanto tempo o leitor não vira na primeira à direita apenas porque acabou de escurecer, sem querer saber a que lugarejo foi dar? Há quanto tempo não pratica um instrumento à beira de uma estrada? Imagine um som de clarinete ao lusco-fusco escapando-se do interior de uma carrinha Volkswagen; não precisa de ser o Adagio do  K.622 de Mozart,  Gershwin ou um tema Klezmer de grande virtuosismo, servindo até uma passagem aborrecida de marcha militar para compor a harmonia, sem melodia que se queira assobiar. O meu amigo fez paragens perto de Marselha e de Málaga, para praticar escalada. O que importa aqui reter: na escalada, tem-se a vida literalmente por um fio, pois é um colega de escalada que segura o cabo de segurança. Ora, viajando o meu amigo sozinho e sem nada ter combinado sobre encontros nos arredores de Marselha e Málaga, concluímos que entregou a sua vida à consciência de um estranho. Isto sucede connosco todos os dias, bastando andar na rua, mas não com a teatralidade da escalada. 

Continua. 



Eremita às 09:18
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016
Sexta-feira, 30 de Dezembro, 2016

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Já não há entre nós vidas como a que ele tem vivido e espero que recupere. Entretanto, deixou de haver desculpa para obituários incompletos, com erros factuais, erros gramaticais ou até uma simples gralha. 



Eremita às 08:36
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016
Quinta-feira, 29 de Dezembro, 2016

[recauchutagem em curso]

Velhos de pijama e andar seguro na praça pública são exemplos de senilidade, mas se houvesse omnisciência e rigor deveríamos subtrair todos os casos que correspondem a ajustes de contas, pois só os lúcidos tentam recuperar a paz interior. Embora o esporádico assassínio por vingança faça com que os ajustes de conta se associem invariavelmente a pessoas, mas não é por falta de enquadramento penal que devemos desconsiderar os ajustes de contas com lugares. Quando me perguntam "ela marcou-te muito, não foi?", respondo com outra interrogação: "Paris ou Nova Iorque?" Ourique, Nova Iorque, Paris, Lisboa, o bairro dos Olivais, Setúbal e... de memória viva não consigo continuar esta regressão, o que deixa Bragança e a ilha de São Jorge, lugares onde me dizem que também vivi, como aprazíveis destinos de férias futuras. Curiosamente, alguns lugares de férias passadas podem pedir um ajuste de contas. No meu caso, esse lugar é a praia da Ponta do Sol, na Ilha da Madeira.

 

O meu irmão e eu assistíamos o meu pai no mergulho para apanhar lapas, que ele arrancava com uma espátula a uma profundidade pouco impressionante e nós depois recolhíamos para dentro de sacos de serapilheira de plástico; por vezes passava-nos também jacas, uns pequenos caranguejos que abundavam por ali. O objectivo era uma frigideira de lapas grelhadas, que a minha avó faria ao fim do dia, para se acompanhar com cerveja Coral ou laranjada Brisa, mas a apanha era também uma oportunidade para gozar o espectáculo daquele mar rico em castanhetas de roxos fluorescentes e iluminado até ao fundo pelo sol. Era o mundo do silêncio de Jacques-Yves Cousteau, mas com o silêncio interrompido por uma respiração inquieta e a paisagem a rodar periodicamente nos seus 360 graus, como se pretendesse evitar ser surpreendido pelas costas. De quem era a culpa? Minha, mas também do próprio Cousteau, que filmou o tubarão branco, um bicho de verdade e não o brinquedo mecânico do Spilberg; a culpa era ainda de quem me levou ao Museu de História Natural do Funchal, visita que taxidermizou para sempre alguns receios sobre monstros marinhos. Quando entrava naquele mar plácido a perder de vista, a minha cabeça era um oceanário arquitectado por um Jeronimus Bosch, cheio de criaturas que nunca haviam sido vistas na Madeira, mas que existiam em algum mar distante e podiam nadar até ali. O mar tinha a propriedade única de anular as distâncias - antes de ler sobre as asas de borboleta na China que provocam um furacão na América, já eu pensava nas batidas de barbatanas na Ponta do Sol que excitavam os tubarões dos recifes australianos.

 

O meu pai nunca soube. E com o meu irmão nunca falei disto, porque falamos pouco. Mas lembro-me de um dia estarmos a sair da água e ele me contar que quando fazíamos o percurso de regresso à praia a sós, só os dois, ele nadava muito depressa por causa dos tubarões. Creio que foi das vezes em que me senti mais próximo dele. Éramos miúdos, mas se o mano velho também tinha medo, era normal ter medo. A vergonha não chegou a desaparecer, apesar de nunca ter recusado uma ida ao mar. Mesmo depois de o meu pai ter capturado o único monstro marinho que vi na Ponta do Sol, o medo não desapareceu. A Ponta do Sol tinha um posto de observação de cachalotes em ruínas e o meu pai contou-me que quando era miúdo um desses gigantes veio dar à praia. Por vezes passavam barcos de pesca desportiva ao largo e eu sabia que eles apanhavam peixes assustadores, mas nunca vi nenhum ali. O único monstro marinho que vi foi um polvo que o meu pai caçou com as mãos.

 

Não sei se esta classificação faz algum sentido e se há algum fundamento neurológico, mas distingo as memórias animadas (como uma cena de filme) das memórias estáticas (como um quadro ou fotografia). A imagem que guardo do polvo é absolutamente estática. De calção de banho, diante dos amigos e da família, o meu pai mostra a sua presa com um sorriso de orgulho que hoje faria dele mais um inimigo dos amigos dos animais. Só o polvo varia em função do tempo e dos humores, indo de um bicho com tentáculos de choquinhos ao polvo gigante das 20 Mil Léguas Submarinas. Esta captura deu um belo polvo de escabeche e passou a ser usada para ilustrar que os actos de bravura costumam ter associada alguma imprudência (se o polvo estivesse agarrado a uma rocha e não a seixos soltos, estaria há décadas órfão de pai), mas para mim tem um  ensinamento mais íntimo. Lembra-me que ninguém pode fazer tudo por nós, nem sequer um pai que, sem o saber, limpa o mar dos monstros marinhos. Por isso, não imagino uma vida cumprida sem voltar a nadar naquele mar e vejo-me a cumprir a tal imagem do velho senil, não na versão de pijama, mas equipado com umas barbatanas e viseira modernas que liguem mal com o meu corpo flácido ou descarnado, para enfim nadar sozinho e respirar tranquilo sem nunca olhar para trás.

Publicado pela primeira vez no blog Sinusite Crónica, este post inaugura a série "Dias". 


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Eremita às 10:01
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016
Terça-feira, 27 de Dezembro, 2016



Eremita às 16:37
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2016
Segunda-feira, 26 de Dezembro, 2016

"Christopher Hitchens died five years ago this month. For many years, he was a contributor to the TLS, and between 1982 and 1987, while living in the United States and working at the Nation, he also wrote a column, “American Notes”. Below we republish a selection of his pieces, in which he recounts his surprise phone call with Thomas Pynchon, considers the death of Andy Warhol, and gives his thoughts on the literary efforts of Stephen King."

 

Entre outras delícias, Hitchens escreve sobre o escândalo quanto à autoria e credibilidade como autobiografia de The Painted Bird. O livro foi assinado por Jerzy Kosinski, um escritor hoje desconhecido deste lado do oceano, que nasceu na Polónia, sobreviveu à Segunda Grande Guerra e emigrou ainda novo para os EUA, tornando-se uma celebridade nova-iorquina nos anos 80. Suicidou-se em 1991, acto que descreveu assim: "I am going to put myself to sleep now for a bit longer than usual. Call it Eternity." Como se constata, o bilhete suicida é o mais ingrato dos géneros literários, pois os verdadeiros cultores do género só têm uma oportunidade e nunca há um editor por perto. Repare-se que teria bastado riscar a segunda frase para que o bilhete de Kosinski fosse da banalidade à perfeição.

 



Eremita às 15:32
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